Após alardear discurso, Trump fala mais do mesmo e diz que guerra ao Irã está ‘perto do fim’

PUBLICIDADE

apos-alardear-discurso,-trump-fala-mais-do-mesmo-e-diz-que-guerra-ao-ira-esta-‘perto-do-fim’

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira, dia 1º, que os principais objetivos estratégicos do país no Irã estão “praticamente concluídos”, ecoando declarações que faz desde os primeiros dias de guerra no Oriente Médio, há um mês. Em seu muito alardeado primeiro pronunciamento formal na Casa Branca sobre o conflito, ele pareceu tentar se equilibrar entre cantar vitória e, ao mesmo tempo, apresentar justificativas (em especial aos próprios americanos) para a necessidade da operação militar.

“A marinha do Irã desapareceu. Sua força aérea está em ruínas… Restam muito poucos (mísseis)“, declarou. “Esta noite, tenho o prazer de dizer que esses objetivos estratégicos fundamentais estão perto de serem concluídos. Nessas últimas quatro semanas, nossas Forças Armadas conquistaram vitórias rápidas, decisivas e esmagadoras no campo de batalha”, acrescentou.

Exaltando a chamada Operação Fúria Épica, Trump afirmou ainda que os mísseis e sistemas de drones do Irã foram “drasticamente reduzidos e suas fábricas de armas e lançamentos de foguetes estão sendo destruídos”. “Nunca na história da guerra um inimigo sofreu perdas tão claras e devastadoras em larga escala em questão de semanas”, alegou. De acordo com o Pentágono, 11 mil alvos iranianos foram atingidos pelas forças americanas.

O ocupante do Salão Oval enfatizou que “estamos muito perto” de terminar o “trabalho” no Irã — embora tenha repetido falas do tipo várias vezes nas últimas semanas. Na terça-feira 31, falou em um cronograma de duas a três semanas para a conclusão da operação, que reiterou durante o discurso. “Nas próximas duas ou três semanas, vamos levar (os iranianos) de volta à Idade da Pedra, onde eles pertencem”, disse.

Sobre os motivos da guerra, ele voltou justificar a ação militar devido à suposta ameaça nuclear do Irã. Enquanto o regime dos aiatolás insiste que seu programa nuclear serve apenas a fins civis e energéticos, Estados Unidos, Europa e, em especial, Israel acusam ser uma fachada para fabricar bombas. Trump afirmou ter prometido que a nação islâmica jamais teria uma arma atômica “desde o primeiro dia em que anunciei minha candidatura à presidência, em 2015”. Agora, segundo ele, Teerã estava “prestes a” obter uma ogiva.

Continua após a publicidade

O discurso à nação ocorre em um momento em que o presidente americano enfrenta acusações de que não conseguirá atingir os principais objetivos bélicos, sobre os quais Trump deu sinais contraditórios ao longo de um mês de combates, e ter perdido o controle sobre o conflito — que vem escalando sem sinais de arrefecimento, ao passo que ele afirma estar em negociações com o Irã. Nesta noite, ele voltou a ameaçar ataques contra usinas de geração de energia e a rede elétrica iraniana “se nenhum acordo for firmado”. Como se trata de infraestrutura civil, isso quase certamente configuraria uma violação das Convenções de Genebra, segundo juristas.

A guerra causou consequências econômicas em todo o mundo e centenas de mortes. Segundo dados de diversas organizações compilados pela agência de notícias Reuters, mais de 5 mil pessoas morreram desde o início dos bombardeios, em 28 de fevereiro, em especial no Irã e no Líbano, mas também em países do Golfo, Israel, Síria, Iraque e Cisjordânia.

Trump havia afirmado anteriormente que os Estados Unidos já venceram a guerra e que ocorreu uma “mudança de regime” no Irã. Enquanto isso, se recusou a assumir a responsabilidade pelos impactos transbordaram globo afora pelas convulsões do mercado de petróleo, em especial devido ao fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo e gás consumidos pelo planeta. O chefe da Casa Branca vem pressionando aliados a agir ofensivamente para desobstruir a rota controlada pelas forças iranianas, enquanto membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) resiste a entrar no lamaçal da guerra.

Continua após a publicidade

Durante o discurso, ele alegou que a nevrálgica rota marítima “se abriria naturalmente” com a resolução das hostilidades, mas voltou a recomendar, como fez em posts nas redes sociais ao longo do último dia, que países na Europa afetados pela queda no fornecimento de combustível “simplesmente vão lá e peguem”. “Podemos ajudar, mas eles deveriam assumir a liderança na proteção do petróleo do qual dependem tanto”, afirmou.

Os impactos do choque energético, que já reduziu a disponibilidade de petróleo em mais de 11 milhões de barris por dia, porém, afetou inclusive os Estados Unidos. O preço médio da gasolina para americanos ultrapassou US$ 4 por galão pela primeira vez em anos, enquanto a confiança do consumidor enfraqueceu, prejudicando ainda mais a já debilitada avaliação sobre a gestão econômica do republicano — más notícias em ano eleitoral, uma vez que as midterms de novembro devem ser marcadas pelo tema do custo de vida.

Ao abordar o assunto, o presidente reiterou sua afirmação de que a alta dos preços da gasolina seria “de curto prazo”, insistindo que americanos não devem se preocupar.

Pesquisas recentes mostram que a popularidade Trump caiu para 37%, nível mais baixo desde o início de seu segundo mandato, em janeiro de 2025, com a desaprovação beirando os 60%. O apoio à própria campanha contra o Irã, que começou na casa dos 30%, está ainda mais baixo.

Publicidade

Mais recentes

PUBLICIDADE

Rolar para cima